O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, reforçou, quinta-feira à noite, durante um debate com o líder do CDS-PP, Paulo Portas, sobre Defesa Nacional, a importância da presença de Portugal nas alianças internacionais.

“Portugal é um contribuinte líquido de segurança internacional”, disse o ministro, frisando que “são poucos os estados que estiveram presentes de uma forma tão continuada desde o inicio dos conflitos”, seja sob a égide da NATO, da União Europeia ou das Nações Unidas.

O debate, realizado no âmbito do colóquio “Portugal – Sim ou Não”, foi marcado pela concordância entre os intervenientes no que toca às opções estratégicas em matéria de segurança. Paulo Portas, que foi ministro da Defesa no governo de Durão Barroso, chegou mesmo a dizer que “a discórdia em matérias de política de defesa é um desperdício”.

Nuno Severiano Teixeira frisou que uma a politica de defesa é “um pilar de soberania do Estado” e um instrumento de politica externa. “Portugal pode e deve estar na linha da frente em matéria de defesa e segurança europeia”, defendeu o ministro. Relembrou ainda que, presentemente, os militares portugueses estão no Afeganistão, desde 2005, no âmbito da NATO, no Kosovo, e ainda no Líbano, em Timor-Leste, na República Democrática do Congo e no Chade, inseridos em missões da ONU.

Campanhas de guerra transformam-se em operações de paz

Nuno Severiano Teixeira falou, também, das novas ameaças e da nova política de defesa que se produz longe das fronteiras territoriais, projectando a estabilidade e transformando as missões das forças armadas em operações de paz.

“O combate pela paz e segurança não se trava nas fronteiras geográficas, mas sim nos conflitos étnicos, nas guerras religiosas, na criminalidade organizada internacional, no terrorismo, nas ameaças ambientais”, sustentou o ministro. Paulo Portas acrescentou que, no passado, “o mundo era perigoso mas previsível”, mas que “hoje já nada sucede com a mesma precisão”.

Por diversas vezes, o ministro defendeu a importância do Tratado de Lisboa na definição de novas estratégias de defesa mutúa na União Europeia. Alertou, ainda, que “é necessário empenho político” e que “as pessoas têm de compreender as decisões tomadas nesse campo”.

A segurança não é gratuita

Nuno Severiano Teixeira alertou para o facto de os portugueses não quererem gastar dinheiro com a defesa e que quem deseja a paz deve participar nos custos dessa paz.

Paulo Portas acrescentou que “a despesa em segurança é um investimento” e que se deve apostar nas forças armadas para que estas possam participar no esforço internacional em prol da paz. “Portugal investe apenas 1,2 a 1,3 por cento do seu produto interno nas forças armadas, enquanto a média da União Europeia está entre os 1,7 a 1,8 por cento dos respectivos PIB”, sublinhou.

O actual presidente do CDS-PP acredita que a questão do orçamento da defesa deve ser resolvida se os europeus “querem, de facto, deixar de ser um gigante no plano económico e um anão a nível militar”. No entanto, ambos acreditam que o investimento nas forças armadas portuguesas deve ser reforçado quando a conjuntura económica o permitir.

“Finalmente às 00h15 uma divergência”

“Finalmente, às 00h15 uma divergência”, alvitrou Paulo Portas quando se discutiu a questão entrada da Turquia na União Europeia. Paulo Portas reconheceu que “há 50 boas razões para a Turquia entrar na Europa”, mas sustentou que “há 51 boas razões” para que aquele país não entre.

Para o democrata-cristão, os militares são ainda um elemento de extrema importância no regime garantindo a secularização do Estado, e quando deixarem de ter essa importância “verificar-se-á uma rápida islamização da sociedade, o que também é incompatível com os fundamentos da UE”.

O ministro contrapôs que “os militares ocidentalizaram o país, mas a democratização está a ser conduzida por um partido islâmico moderado”. Nuno Severiano Teixeira defendeu ainda a importância da Turquia do ponto de vista geoestratégico, destacando que Ancara dispõe das segundas forças armadas mais importantes da NATO, a seguir aos Estados Unidos.

Ambos concordaram que a Europa e o Ocidente não podem dispensar do relacionamento extremamente privilegiado com a Turquia .