A Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) está a implementar, pela primeira vez, um projeto de eficiência energética nas suas instalações. O programa, batizado [email protected], visa melhorar a sustentabilidade da instituição na área da energia, ao modificar equipamentos e infraestruturas da faculdade.

A candidatura da FLUP ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR), que co-financia o projeto, foi aprovada em setembro do ano passado. Desde então que a instituição tem vindo a fazer alterações no edifício.

Estão previstas mudanças em três domínios: substituição da caixilharia e vidros das janelas, troca das lâmpadas convencionais por lâmpadas LED e instalação de painéis solares.

Para Fernanda Ribeiro, diretora da FLUP, o projeto de eficiência tem dois objetivos principais: “Um diz respeito à redução de custos no consumo de energia e o outro consiste numa solução de sustentabilidade ambiental”, afirmou em entrevista ao JPN.

A instalação de painéis fotovoltaicos é, para Fernanda Ribeiro, uma medida muito importante, visto que vai permitir à FLUP produzir energia sem ter que a “comprar a um fornecedor”.

“Atualmente temos uma fatura de energia elétrica que é de mais ou menos 120 mil euros por ano, 10 mil euros por mês”, adianta Fernanda Ribeiro. Ainda assim, a diretora da FLUP estima uma poupança anual de “cerca de 50 mil euros” com o projeto.

A aplicação das medidas previstas no programa vai permitir à instituição reduzir o consumo de energia elétrica e gás natural. A poupança vai traduzir-se numa “redução de 38%” nos custos de eletricidade.

“O edifício tem muitos problemas de correntes de ar e dificuldades de aquecimento”, afirma Fernanda Ribeiro. Por isso, os vidros das janelas vão ser substituídos por “vidros térmicos” e a caixilharia remodelada.

Ainda assim, Fernanda Ribeiro adverte que o investimento não é suficiente para que todas as janelas possam ser modificadas. Deste modo, esta medida apenas se vai perceber na parte “mais fria” do edifício.

Até dezembro, já foram colocadas 1.641 lâmpadas LED na faculdade. A diretora da FLUP explica que a instituição tem mais de oito mil lâmpadas e afirma: “Isto está a continuar, de dezembro para cá já foram colocadas muitas outras”.

Com a implementação do programa, a FLUP vai subir “dois níveis na classificação de eficiência energética”. “Atualmente, estamos no D e vamos passar para o B”, reforça Fernanda Ribeiro.

De todos os objetivos do programa de eficiência energética, apenas está em execução o da mudança das lâmpadas. Contudo, Fernanda Ribeiro indica que as restantes medidas “já estão em curso, não em execução, mas em curso de preparação”.

“Já estamos a preparar o processo de aquisição da caixilharia e estamos a tentar que, até ao verão, possamos ter os painéis”, esclarece Fernanda Ribeiro. “Claro que esta é uma parte mais cara do investimento”, remata.

Fernanda Ribeiro adianta que o financiamento do PO SEUR funciona como um “empréstimo”. “Há uma parte do dinheiro que nós, à medida que vamos tendo redução na fatura da luz, vamos ter que devolver”, explica.

“Se não tivéssemos financiamento, nunca teríamos condições para fazer este investimento”, diz Fernanda Ribeiro. Acrescenta ainda que “a devolução é progressiva, é uma coisa suave”, ou seja, permite uma boa gestão.

A diretora da FLUP garante que o projeto vai estar terminado na data prevista, em setembro de 2019. “Temos que ter o projeto pronto a tempo, porque se não punhamos em risco o financiamento”, conclui.

O projeto ecológico da FLUP é co-financiado em 95% pelo PO SEUR e a faculdade cobre o restante. Ao todo, o investimento da União Europeia é de 395.574,13 euros.

Artigo editado por Filipa Silva