No Estádio Municipal de Aveiro, o FC Porto procurava a sua 22.ª Supertaça Cândido de Oliveira, enquanto o Benfica perseguia a revalidação do título. À imagem do que têm sido os encontros disputados entre as duas equipas, o jogo começou com as duas equipas na expectativa, com um penálti a desatar o nó. Num jogo muito físico e com muitas faltas, as oportunidades foram escassas, mas a experiência e a eficácia fizeram a diferença.

Depois de uma vitória clara no passado domingo contra o Nacional, para o campeonato, a equipa de Sérgio Conceição queria o título que lhes escapava desde a época 2018/2019. Em relação ao último jogo, o treinador apenas mexeu na defesa com a inclusão de Pepe e Manafá para os lugares de Diogo Leite e Nanú. Tal como em outros encontros, a equipa azul e branca entrou num 4-4-2 que em vários momentos do jogo se pode transformar num 4-3-3, com Sérgio Oliveira, Uribe e Otávio no miolo.

Do lado encarnado, Jorge Jesus fez várias alterações depois do jogo contra o Gil Vicente. Otamendi, Rafa, Waldschmidt e Taarabt saltaram para o onze inicial em detrimento de Jardel, Pedrinho, Seferovic e Pizzi, este último infetado com Covid-19. Apesar das alterações, o esquema tático continuou a ser o 4-4-2, com Taarabt e Weigl incumbidos de tomar conta do meio-campo do Benfica.

Raça e querer sobrepuseram-se ao saber

Fazendo jus à tradição, o início de jogo entre as duas equipas foi bastante dividido, com muitas disputas de bola e pouca clareza nos ataques. Foi preciso esperar 22 minutos para ver o primeiro lance digno de nota. Numa bola lançada por Corona, Taremi isola-se e Vlachodimos comete grande penalidade. Depois de alguns minutos de análise por parte do VAR, Hugo Miguel confirma que não existe fora de jogo e assinala o castigo máximo para os “dragões”. Sérgio Oliveira, o melhor marcador do FC Porto esta época, converteu com sucesso o nono golo desta época, o quarto de grande penalidade.

Sérgio Oliveira é o melhor marcador do FC Porto esta época. Foto: Liga Portugal

Nem passados dois minutos, o Benfica procurou responder por parte de Grimaldo, a passe de Waldschmidt. Marchesín disse presente pela primeira vez na noite em Aveiro com uma grande defesa. Apesar dos vários ataques da equipa encarnada, quase nenhum teve o desfecho pretendido, esbarrando na muralha defensiva do Porto.

A toada do jogo não se alterou nos minutos seguintes. Os “dragões” apresentavam muita dificuldade em ligar o setor mais recuado com o ataque, enquanto as “águias” definiram quase sempre mal o último passe.

O primeiro tempo, terminou, assim, com uma vantagem de uma bola para os dragões. O FC Porto aproveitou um erro do Benfica para se adiantar no marcador, enquanto os encarnados não aproveitaram a única oportunidade de que dispuseram.

Lucidez e eficácia azul e branca

O reatar da partida trouxe um FC Porto mais perigoso, com Uribe a encher o pé e a rematar do meio da rua para uma boa defesa de Vlachodimos. Estava dado o mote para o que a segunda parte reservava. 

Nos minutos seguintes, foi Corona a aproveitar um erro da defensiva benfiquista e a cruzar para Otávio à entrada da área, que rematou para defesa segura do guardião grego. O FC Porto continuava a ser a equipa mais perto do golo.

Das únicas vezes que o Benfica se aproximou da baliza defendida por Marchesín foi através de uma falta feita à entrada da área por parte do central congolês Mbemba. Grimaldo encheu o pé e obrigou Marchesín a mais uma defesa.

Em dois cantos consecutivos, o FC Porto voltou a criar perigo. Numa primeira instância os remates de Mbemba e de Marega quase fizeram abanar as redes, mas uma defesa de Vlachodimos, um corte de Otamendi e de Gilberto, mantiveram o resultado em aberto. Na sequência desses lances, um cabeceamento de Marega passou muito perto do poste esquerdo dos encarnados. 

A última oportunidade que o Benfica dispôs foi, mais uma vez, através de um livre cobrado por Grimaldo, que desta vez bateu na barra, com Marchesín a ficar pregado ao relvado. De realçar que todas as oportunidades que o Benfica teve foram por parte do lateral espanhol.

Com o aproximar do final da partida, ambos os treinadores tentaram mexer peças para agitar o jogo. Do lado azul e branco, entraram Diogo Leite, Romário Baró, Toni Martinez, Marko Grujić e Luis Díaz, este último seria fundamental minutos depois. Já Jorge Jesus, fez entrar Seferovic, Diogo Gonçalves, Pedrinho e Nuno Tavares.

Aos 90 minutos, o FC Porto acaba com o jogo. Taarabt perde a bola para Toni Martinez que passa para Corona e o mexicano assiste Luis Díaz, que a partir do flanco esquerdo bateu Vlachodimos, sentenciando o jogo e a conquista do troféu. 

Apesar das tentativas por parte da equipa encarnada, os “dragões” foram superiores em quase toda a partida, sobretudo na segunda parte. A coesão defensiva e a eficácia da equipa de Sérgio Conceição foram preponderantes para a conquista de mais um título.

Conceição considera o “título merecido”

Em declarações à RTP no final da partida, Sérgio Conceição considerou que o troféu foi uma chave de ouro para fechar um ciclo de jogos bastante complicados: “Devia ter sido disputado mais cedo. Foi jogado agora em cima de um ciclo de jogos terrível. Ganhámos o campeonato, a Taça de Portugal e agora concluímos este ano muito difícil e triste com a Supertaça”, disse.

O técnico azul e branco acredita que a coesão defensiva foi preponderante para o resultado: “Sabíamos que se fôssemos defensivamente fortes, e isso não significa jogar à defesa, e explorássemos alguma fragilidade da defesa do Benfica em termos de velocidade, tínhamos oportunidade de ficar mais perto do sucesso.”

Jesus destacou o bom início

Também em declarações à RTP, Jorge Jesus observou que a sua equipa teve um bom início, mas não soube tirar partido disso: “Nos primeiros 15 minutos tivemos duas saídas de dois contra um e não soubemos aproveitar”.

Além disso, o técnico encarnado aponta a eficácia como o principal fator para o desfecho final: “Nos momentos em que o FC Porto foi melhor, soube aproveitar, não falhou. Não conseguimos fazer a diferença nas vantagens: esta final é a objetividade”.

Depois de uma paragem natalícia, o FC Porto volta à Liga NOS em Guimarães para defrontar o Vitória na próxima terça-feira, 29 de dezembro. Por sua vez, o Benfica recebe o Portimonense SC no mesmo dia.

Artigo editado por Filipa Silva