Na quinta-feira (3), a Metro do Porto confirmou a proposta vencedora para a nova ponte no metropolitano do Porto. A finalista foi executada pelo consórcio formado pelas empresas Prof. Edgar Cardoso – Engenharia e Laboratório de Estruturas, Lda, Arenas & Asociados, Ingenería De Diseño SLP e No Arquitectos, Lda.

No comunicado, é assegurado que perfil longitudinal da ponte sobre o Douro vai ter uma altura superior à da ponte da Arrábida, para não se tonar um obstáculo visual. O desenho consiste numa ponte de pórtico com efeito de arco, toda ela construída em betão. Nos próximos dias, o contrato vai ser assinado para o desenvolvimento do projeto, o que representa um investimento superior a 1 milhão e 120 mil euros.

A futura ponte vai unir o Campo Alegre, no Porto, ao Candal, em Vila Nova de Gaia e nela passa uma nova linha de Metro – a Linha Rubi – que vai ligar a estação da Casa da Música à de Santo Ovídio.

A empresa acrescentou que a futura ponte e a nova linha “são totalmente financiadas a fundo perdido” por verbas inscritas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A execução da travessia tem um prazo de 970 dias de calendário e estima-se um custo orçado em 50,5 milhões de euros. O objetivo é entrar em funcionamento até ao final de 2025.

Mais que uma ponte, uma resposta sustentável

A construção da sétima travessia, entre o Porto e Vila Nova de Gaia, vai ser iniciada no primeiro semestre de 2023. Regendo-se pela sustentabilidade, o projeto “é exclusivamente reservado ao Metro, aos peões e bicicletas”.

Tiago Braga, presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, salienta que a nova ponte e a nova linha, “são o mais forte contributo para a descarbonização da mobilidade nesta região, uma vez que este é o eixo alternativo à circulação automóvel na Ponte da Arrábida e a parte da VCI”. Num mundo onde questões energéticas estão cada vez mais presentes, a adjudicação ao consórcio Edgar Cardoso, Arenas e NOARQ coadjuva para que a cidade Invicta dê “um passo decisivo para um futuro limpo e sustentável”.

Desde o início do concurso que as faculdades do Campo Alegre contestaram o perfil e acessos da futura travessia. Gabinete Edgar Cardoso

A Metro do Porto e o consórcio vencedor vão trabalhar em cooperação com a câmara municipal do Porto e de Vila Nova de Gaia, e com todas as outras partes envolvidas – nomeadamente a Faculdade de Arquitetura e a Reitoria da Universidade do Porto. As faculdades do Campo Alegre, ao longo do concurso, contestaram o traçado, cota, perfil e acessos da futura ponte.

“O enquadramento do edificado do lado do Porto obriga a um trabalho de detalhe técnico muito exigente”, confirma Tiago Braga. O objetivo é alcançar uma convivência de arquiteturas na zona do Pólo Universitário do Campo Alegre e em toda a envolvente. A empresa quer “alcançar a melhor solução de integração paisagística da nova ponte em ambas as margens do Rio Douro”.

Aos olhos do presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, o projeto vai inevitavelmente tornar a região mais coesa, ambientalmente sustentável e competitiva. Para Tiago Braga, “uma ponte, por si só, é sempre um projeto de aproximação de partes, de conectividade e de cooperação”. Lembra ainda que a nova travessia “é parte de um conjunto mais vasto, uma nova linha entre a Boavista e Santo Ovídio, com ligação ao comboio nas Devesas, de forma a servir toda a zona sul da Área Metropolitana do Porto”.

O rigor e a transparência traçaram o concurso

A proposta do Gabinete Edgar Cardoso foi o primeiro classificado, das 28 propostas, na Cerimónia de Anúncio dos Vencedores da Primeira Fase do Concurso Público Internacional de Conceção para a Elaboração do Projeto de Execução da Ponte sobre o Rio Douro e Acessos. O projeto obteve 94,20% da pontuação global do concurso, recebendo o primeiro prémio, de 150 mil euros.

Tiago Braga faz questão de realçar o rigor e a transparência do trabalho do júri do concurso durante todo o processo. “Para além de que teremos tido provavelmente o júri mais qualificado em concursos desta natureza, não apenas pelo mérito dos seus membros, mas também pelas instituições de referência que representam, aportando para o processo diferentes sensibilidades, perspetivas e saberes”, afirma.

O júri do concurso foi composto, segundo a Metro do Porto por Inês Lobo e Alexandre Alves Costa (ambos em representação da Ordem dos Arquitetos), Rui Calçada e Júlio Appleton (indicados pela Ordem dos Engenheiros), Amândio Dias (da Direção Regional de Cultura do Norte), Eduardo Souto de Moura (em nome da Câmara Municipal do Porto), Serafim Silva Martins (pela Câmara de Vila Nova de Gaia), e Lúcia Leão Lourenço, que presidiu, Joana Barros, Victor Silva e Miguel Osório de Castro (os quatro representando a Metro do Porto).

Artigo editado por Tiago Serra Cunha