O regresso do campeonato, após um hiato de 20 dias, ditou que o FC Porto se superiorizasse ao Santa Clara, este sábado, e levasse os três pontos de volta à Invicta. Num embate em que escassearam as oportunidades, o tento conseguido pelo colombiano Luis Díaz permitiu à equipa de Sérgio Conceição subir provisoriamente ao segundo lugar, com 16 pontos, mais um do que Sporting de Braga e Benfica, que ainda irão entrar em campo nesta jornada, a oitava da Liga. 

Os comandados de Sérgio Conceição aterraram nos Açores a atravessar a melhor fase da temporada. Após quatro jogos consecutivos a vencer, era imperial demonstrar no plano interno toda a competência evidenciada na Liga dos Campeões. A vitória conseguida em território gaulês, diante do Marselha, servia de incentivo para a partida frente ao Santa Clara, na qual a margem de erro era nula, tendo em conta os seis pontos de atraso para o líder Sporting. 

Do outro lado da quadra, a formação de Daniel Ramos também chegava a este encontro motivada pela vitória alcançada na Taça de Portugal, diante do Beira Mar. 

Os dragões apresentaram-se praticamente com o mesmo onze do triunfo europeu a meio da semana. A única alteração foi a estreia de Taremi a titular na Liga pelos azuis e brancos, em detrimento de Marega. Já os açorianos fizeram cinco alterações em relação ao onze apresentado na Taça de Portugal. Marco Pereira, Rafael Ramos, Mansur, Júlio Romão (primeiro jogo a titular na época) e João Costinha foram as novidades. 

A fatídica semana que atravessamos não foi esquecida e antes do apito inicial foi realizado um minuto de silêncio, pelas mortes de José Bastos (1929-2020), Reinaldo Teles (1950-2020), Diego Armando Maradona (1960-2020) e do treinador Vitor Oliveira (1953-2020), que de forma inesperada faleceu este sábado quando passeava em Matosinhos, tendo sido, ao que tudo indica, vítima de um ataque cardíaco.   

Início prometedor dos dragões

A partida iniciou-se com domínio azul e branco. Os pupilos de Sérgio Conceição tomaram as rédeas do jogo e assumiram o controlo da posse de bola. Com um futebol rendilhado e com combinações rápidas no último terço, tentaram surpreender os açorianos. Contudo, faltava algum discernimento no último passe. A equipa da casa, com uma proposta de jogo bem definida, rapidamente equilibrou a partida. Mesmo em inferioridade, no que à posse de bola diz respeito, defenderam em bloco e mantiveram a sua organização defensiva. Sempre que podia, o Santa Clara saía rapidamente em contra-ataque, sobretudo pela velocidade de Diogo Salomão e de Carlos Júnior nas alas. 

A primeira parte decorreu sem grande interesse e a escassez de oportunidades ia reinando. O mau estado do relvado e as condições climatéricas que se fizeram sentir também não contribuíram em nada para a prática desportiva. O vento forte e a chuva, que caiu com bastante intensidade, condicionaram o discernimento das duas equipas. Perante este cenário, o jogo tornou-se físico, com muitos lances divididos a meio-campo, mas sem ocasiões de golo. 

Aos 37 minutos, surgiu finalmente um lance de algum perigo. Livre direto de Osama para o interior da área, com a bola a levar a direção da baliza, obrigando Marchesín a defesa atenta. 

Numa primeira parte marcada por alguma monotonia, a emoção ficou reservada para os últimos instantes do primeiro tempo.

Depois de uma combinação entre Manafá e Corona, no corredor direito, o lateral português encontrou Luis Díaz no coração da área, que respondeu com um pontapé de bicicleta. A bola ainda embateu no poste, mas Marco Pereira estava batido. Um golo extraordinário, a expor toda a qualidade técnica do extremo colombiano, até aí o mais inconformado na equipa da Invicta. Estava assim desfeito um nulo, que parecia bem sólido. 

 

Deserto de ideias perdurou no segundo tempo

As más condições metereológicas que vinham da primeira parte agravaram-se no segundo tempo e foram a principal adversidade para cada um dos lados. O jogo retomou com a mesma toada da primeira parte – jogo muito disputado na zona intermédia do terreno e a qualidade de jogo esteve longe de deslumbrar. 

Desta vez, era o Santa Clara que jogava contra o vento. Em busca do empate, o conjunto açoriano assumiu mais protagonismo na circulação e posse de bola, perante um FC Porto mais expectante. Quando tinham a bola, os azuis e brancos procuravam diminuir o ritmo de jogo, consolidando o domínio na partida. O ritmo baixo que a segunda parte levou ia beneficiando um FC Porto certamente desgastado do embate europeu, que o fez ter menos de 72 horas de descanso. 

Aos 64 minutos, ambos os técnicos injetaram sangue novo na partida com duas alterações cada um. No lado azul e branco, Grujic e Taremi deram o seu lugar a Uribe e Marega, enquanto que no Santa Clara Lincoln e Jean Patrick entravam para os lugares de Costinha, já amarelado, e Diogo Salomão. Daniel Ramos procurava assim mais clarividência ao último terço, na busca pelo golo. 

Na reta final do encontro, o Santa Clara conseguiu repartir a posse de bola e instalar-se no meio-campo adversário. Apesar de algumas investidas, sobretudo com cruzamentos vindos da ala direita, a baliza ‘azul e branca’ permaneceu inviolável. Só nos últimos minutos surgiram vislumbres de lances de perigo. Na sequência de um lançamento lateral, o recém-entrado Ukra rematou para Marchesín agarrar. Foi o lance mais perigoso do Santa Clara, o que também explica o pouco trabalho que o guarda-redes do FC Porto sentiu ao longo de todo o jogo. 

Foi pouco para 90 minutos, mas foi o suficiente para o FC Porto somar uns importantes três pontos, mesmo sem entusiasmar. A equipa está agora na segunda posição a seis pontos do Sporting (que bateu ontem o Moreirense por 2-1) e com um ponto mais do que o SC Braga (que recebe este domingo o Farense) e que o Benfica (que se desloca esta segunda-feira ao terreno do Marítimo).

Sérgio Conceição elogia o espírito de equipa 

Na análise à partida, Sérgio Conceição elogiou o espírito demonstrado pela sua equipa no triunfo nos Açores, contudo apontou o dedo à “densidade competitiva” do atual calendário que os dragões têm vindo a enfrentar, referindo que “os jogadores não são máquinas”. 

O técnico portista relembrou ainda com saudade Vitor Oliveira, afirmando que era “uma personalidade fantástica do nosso futebol”. 

Daniel Ramos destaca equilíbrio

O técnico do Santa Clara afirmou que as condições climatéricas perturbaram o jogo: “Dificultou o trabalho das duas equipas. É um fator extra”, e referiu que a “qualidade individual fez a diferença”. “O FC Porto conseguiu finalizar com recursos de um jogador [Luiz Díaz] que tem muita qualidade e fez um grande golo.”

Na próxima terça feira, dia 1 de dezembro, o FC Porto volta a entrar em campo para receber o Manchester City, comandado por Pep Guardiola, em partida a contar para a Liga dos Campeões. Os azuis e brancos precisam apenas de um ponto para se qualificarem para a próxima fase da prova milionária. Quanto ao Santa Clara, irá deslocar-se no dia 6 de dezembro à ilha da Madeira, para enfrentar o Nacional, em jogo da nona jornada da Liga NOS. 

Artigo editado por Filipa Silva