Quando era pequenino, sonhava ser polícia. Confessou que estudar nunca foi o seu forte, mas concluiu o 12.º ano no curso de Informática de Gestão. Ficou-se por aqui porque, para além da sua falta de gosto, não tinha possibilidades financeiras para investir na faculdade.

Tem o seu canal de YouTube há cinco anos e e criou-o por brincadeira quando, com os amigos, decidiu fazer um vídeo cómico e publicá-lo online. Os comentários positivos que se seguiram deu-lhe motivação para fazer mais. Hoje, Alexandre Santos é conhecido por uma sátira em que demonstra o que é, aos seus olhos, ser um “gunão”, explica. “Muito longe de o ser”, afirma com toda a certeza que “A Gunada” é um vídeo que “muita gente quis fazer, mas que não teve coragem”.

Após “A gunada”, surge o Estrondo

Depois, surge o “Estrondo“, imortalizado pelos famosos “chocapitos do Lidl”, Alexandre não sabe onde foi desencantar a expressão e reconhece que faz tudo à base do improviso. Em todos os seus vídeos cria a história dos mesmos na sua cabeça e deixa-se levar por essa linha. “Os chocapitos do Lidl vieram-me à cabeça na altura e pronto”, conta Alexandre.

Mas a popularidade do filme não se fica por aqui: já são muitos os jovens que usam a expressão “’tá demais o bar do praia”, também usada por Alexandre, durante as gravações. Originalmente, conta, é uma expressão usada em Vila do Conde, de onde é natural. E no meio de gargalhadas, confessa que, às vezes, usava essa expressão com os seus amigos, com o intuito de lhes dizer “vai-me à loja, oh velhote!”, brinca.

Nortenho de corpo e alma, sentiu que, depois destes vídeos, houve uma “pequena explosão” de seguidores, como ele diz, que continuaram sempre a pedir-lhe mais e mais. Até que Alexandre achou que estava na altura de investir num filme mais “a sério”. E assim foi: sem dia e hora marcada, decidiu começar a gravar.

Surge então o “Estrondo 2”, derivado do sucesso do primeiro e da adesão das pessoas. Uma coisa mais a sério, mais trabalhada, para também não deixar a imagem que havia cativado o seu público ir abaixo.

As diferenças a nível de produção do “Estrondo” para o “Estrondo 2” também são visíveis. Mas Alexandre considera que pouco mudou. Feitas as comparações, o “Estrondo” foi feito num dia, das 9h da manhã às 6h da tarde. O 2 já demorou dois meses, também por ter mais personagens e diferentes sítios para gravar. Mesmo em termos de qualidade de imagem, Alexandre decidiu apostar num certo cuidado que não tinha tido no primeiro. No entanto, aquilo que usou para gravar, quer num quer noutro, foi apenas uma câmara e um microfone.

O Estrondo conta com mais de dois milhões de visualizações e Alexandre nunca esperou tanta adesão por parte das pessoas. Confessa que foi um choque para si e que em muitos momentos se questionou sobre se tudo aquilo estaria a acontecer. A sensação reconhece que foi boa, mas que ao início sentia a estranheza das pessoas irem ter com ele. Agora, adora.

Da internet para a TV: uma mudança “altamente”

Nos vídeos, Alexandre faz grande menção a drogas e diz bastantes palavrões. Confrontado sobre como considera isso para o público jovem que o vê, simplifica: é uma “questão lixada”, mas Alexandre adota uma personagem e tem de a encarnar. Também considera que “uma pessoa com dois dedos de testa” não se deixa influenciar por causa de um filme e acha, por isso, que aquilo que transmite com os seus vídeos, não é nem vai ser uma má influência.

Salta da Internet para a televisão e sorri dizendo que foi uma mudança “altamente”. Ao início, era só para fazer um vídeo por semana, mas Filipe Terruta, diretor dos canais temáticos, passou um dia inteiro a ver os seus vídeos e disse que alguém como ele tinha de ter um programa só seu. E assim foi. Atualmente, tem o “Pancas da Semana” no + TVI. Para Alexandre, foi um passo muito grande, mas a sensação foi ainda melhor.

Teve de ir viver para Lisboa, e perguntamos-lhe como é que um rapaz do Porto se ambienta à capital, tendo como cartão de visita o seu sotaque. “Ui! Jesus! É muito engraçado”, diz. Considera Lisboa uma “selva urbana” pela sua quantidade de edifícios e trânsito, e diz preferir a paz. Ainda que considere as pessoas em Lisboa mais acanhadas também, adora as pessoas com que trabalha e diz ter uma “equipa altamente”.

Conta que, para o conteúdo, se deixa guiar pela comédia que adora: a comédia sem sentido. Com liberdade total no programa, pode ser ele mesmo. Até agora, não tem satirizado assuntos da atualidade, mas diz que é uma coisa que, em breve, vai começar a fazer.

A ver-se, ainda, como amador, reconhece que ainda tem muito a aprender neste mundo e que ainda tem de “ganhar calo”. Se é ou não artista, deixa isso ao critério das pessoas.
Se tivesse que se descrever numa palavra, seria estúpido. Porquê, não sabe. Mas foi a cena que, no momento, lhe veio à cabeça…