Na partida que encerrou a 20º jornada do campeonato, o Futebol Clube do Porto foi, esta segunda-feira, à Madeira derrotar o Club Sport Marítimo, por 2-1. Numa partida poucas vezes bem jogada, os golos surgiram através de bolas paradas e a vitória do campeão nacional, que continua assim a dez pontos do líder, só ficou selada com uma grande penalidade nos últimos minutos. Uribe e Otávio foram os marcadores de serviço dos “azuis e brancos”, enquanto Léo Andrade marcou para a equipa da casa.

À procura de regressar aos triunfos no campeonato depois de três jogos sem conhecer o sabor da vitória, Sérgio Conceição, técnico portista, fez apenas uma alteração em relação ao jogo da Liga dos Campeões com a Juventus. Otávio, ainda não recuperado na totalidade da lesão muscular que o tem afetado nas últimas partidas, caiu do onze inicial para dar lugar à entrada de Luis Díaz.

Do lado dos insulares, que vinham de uma sequência de seis derrotas consecutivas, Milton Mendes operou uma verdadeira revolução nas suas escolhas para o encontro com os “dragões”. Para além de apostar num sistema de três centrais, o antigo treinador dos sub-23 do Marítimo trocou sete peças face à derrota em Tondela. Caio Secco, Lucas Áfrico, Andreas Karo, Soderstrom, Bambock, Guitane e Rúben Macedo foram substituídos por Amir, René Santos, Léo Andrade, Pelágio, Correa, Hermes e Edgar Costa. Rodrigo Pinho, o goleador da equipa, continua de fora por lesão.

Faltas a mais, oportunidades a menos

Num terreno historicamente complicado para os “dragões”, os primeiros dez minutos de jogo foram de luta intensa, mas com muitos passes falhados e sem que nenhuma equipa conseguisse ligar o seu jogo de forma eficiente. O único sinal de perigo surgiu de um cabeceamento de Joel Tagueu, após um lançamento lateral, que não causou grandes problemas a Marchesín.

Como se esperava à partida para o encontro, o FC Porto tinha mais posse e procurava encontrar espaços no bloco defensivo de um Marítimo algo retraído e a tentar não dar espaços nas costas para os avançados “azuis e brancos”. Numa fase em que os comandados de Sérgio Conceição começavam a rondar com maior insistência a área adversária, os visitantes chegaram ao golo.

Na sequência de vários ressaltos após uma bola parada de Sérgio Oliveira, Mehdi Taremi assistiu Matheus Uribe que rematou forte já dentro da área maritimista. A bola ainda desviou em Léo Andrade antes de entrar na baliza de Amir. 1-0 aos 14 minutos.

A vantagem do FC Porto durou pouco, uma vez que o Marítimo chegaria ao empate logo a seguir. Depois de um canto cobrado de forma rasteira, o remate cruzado de Joel Tagueu encontrou o central Léo Andrade isolado que, na cara do guarda-redes portista, finalizou sem problemas para colocar o resultado em 1-1.  Antes de ser validado, o lance ainda esteve três minutos a ser analisado pelo VAR.

Depois disso, o jogo retomou a toada de muita luta, mas com um espetáculo que deixava a desejar. Os “dragões” só voltariam a criar perigo aos 33 minutos, novamente no seguimento de uma bola parada, através de um cabeceamento de Mbemba para defesa apertada de Amir. Na recarga, Taremi não foi capaz de desviar a bola do alcance do guardião iraniano.

Até ao intervalo, o FC Porto continuou a dominar o encontro, mas sem criar oportunidades de golo. Numa primeira parte desgarrada e com muitas faltas, os únicos momentos de perigo surgiram a partir de lances bola parada. 1-1 era o resultado no final dos primeiros 45 minutos.

Suspiro de alívio nos descontos

A necessitar de vencer para manter a distância para o líder do campeonato, a equipa de Sérgio Conceição permaneceu no controlo das operações durante toda a segunda parte. Contudo, a primeira aproximação à baliza pertenceu à equipa da casa, com Joel Tagueu, o mais ativo dos atacantes do Marítimo, a aproveitar uma transição rápida para visar a baliza portista.

Pouco depois, foi a vez de Luis Díaz, num movimento que já lhe é habitual, fugir da esquerda para o meio e rematar cruzado de pé direito, mas Amir defendeu com dificuldade. Seguiram-se minutos de muita bola para os “azuis e brancos” que, no entanto, não perturbaram a organização defensiva dos comandados de Milton Mendes.

Aos 63 minutos, o técnico do FC Porto lançou Otávio e Francisco Conceição para os lugares de Marega e Sérgio Oliveira, numa clara procura de maior mobilidade e criatividade na frente de ataque dos “dragões”. Ainda assim, o tempo avançava e as oportunidades claras de golo continuavam a escassear.

Na verdade, seria o Marítimo a gozar das melhores chances para marcar no segundo tempo. Aos 82 minutos, Alipour, lançado por Tamuzo, arrancou quase da linha do meio campo em direção à área portista, mas não conseguiu superar a mancha de Marchesín. No canto que se seguiu, o central Zainadine cabeceou ao poste e na recarga houve lugar a mais uma enorme intervenção do guarda-redes argentino para travar um remate à queima-roupa de Léo Andrade.

Os minutos finais foram um espelho do que se passou ao longo de todo o encontro. Muita circulação de bola do FC Porto em redor da área maritimista, mas sem capacidade para abrir brechas num bloco defensivo que se mantinha confortável e bem organizado.

Tudo parecia bem encaminhado para a equipa da casa até que, aos 90 minutos, Rúben Macedo teve uma abordagem imprudente na sua grande área e carregou Francisco Conceição pelas costas. O árbitro assinalou grande penalidade. Otávio assumiu a marcação, fez o 2-1 e deu a vitória ao FC Porto, num encontro em que o resultado foi bastante melhor que a exibição e em que Marchesín foi fulcral para o desfecho positivo.

Com esta vitória, o FC Porto volta a colocar-se no segundo lugar do campeonato, com 10 pontos de desvantagem para o primeiro classificado, o Sporting Clube de Portugal. Já o Marítimo é o novo lanterna vermelha da prova, embora apenas a um ponto dos clubes acima da linha de água.

“Dissabores em momentos cruciais”

No final do encontro, Milton Mendes era um treinador satisfeito com o desempenho da sua equipa, ao afirmar que os jogadores “trabalharam e lutaram até à última gota de suor”. Referiu também que as melhores oportunidades na segunda parte foram do Marítimo e que o jogo estava controlado até ao momento em que surgiu a grande penalidade.

Apesar da sequência negativa de resultados, o técnico brasileiro acredita que, a jogar “da maneira como enfrentou o FC Porto”, a sua formação “vai vencer muitas vezes no futuro”. Com o seu futuro à frente dos insulares incerto, Mendes garante ter um boa relação com os jogadores no balneário e com a direção, e lamenta que a equipa esteja a sofrer “dissabores em momentos cruciais”.

“Fomos felizes”

Por sua vez, Sérgio Conceição admitiu que a sua equipa foi feliz na forma como chegou à vitória e que teve aquela “pontinha de sorte” que tem faltado noutros encontros. Para além disso, o técnico portista teceu vários elogios ao Marítimo, uma equipa que “tem jogadores acima da média” e que quando bem organizada no plano defensivo, tem armas para ser perigosa no ataque.

O treinador do FC Porto reconheceu que, graças aos muitos homens no corredor central para impedir a circulação da sua equipa e à largura defensiva para bloquear o jogo pelos corredores, a equipa da casa estava a sentir-se confortável com o bloco baixo. Nesse sentido, as substituições que fez deveram-se à perceção de que aquilo que a equipa precisava não era de poder físico, mas sim de jogadores capazes de “sair da cabine telefónica” e desmontar essa organização.

Na próxima jornada, o FC Porto recebe o líder Sporting CP, num clássico marcado para sábado, dia 27 de fevereiro, às 20h30, e que promete ter um forte impacto nas contas do título. No domingo, o Marítimo visita o Portimonense, naquela que vai ser uma partida entre duas formações separadas por dois pontos na classificação.

Artigo editado por Filipa Silva