Neste domingo, no Estádio do Bessa século XXI, Boavista FC e Belenenses SAD protagonizaram um jogo pouco emotivo e que ficou muito aquém de um verdadeiro clássico do futebol nacional. A contar para a oitava jornada da Liga NOS, a partida acabou com um ponto somado para as duas equipas. Circunstância mais penalizante para as panteras, que caem agora para o 16.º posto, o antepenúltimo da tabela classificativa.

Este jogo fica também marcado pelo minuto de silêncio que homenageou várias personalidades do mundo futebol, entre as quais a lenda do futebol mundial Diego Armando Maradona, o dirigente portista Reinaldo Teles, o antigo guarda-redes José Bastos e o treinador Vítor Oliveira.

Confinados a poucas ideias

A equipa comandada pelo técnico Vasco Seabra voltou a alinhar num sistema tático de 4-4-2 que já se tinha feito ver nos jogos diante do Vizela FC e do SC Farense. Contudo, o técnico dos axadrezados fez quatro alterações no onze inicial, contando com o regresso do lateral-esquerdo Ricardo Mangas e do internacional angolano Show no meio-campo. Foram também apostas o experiente campeão mundial, Adil Rami, no centro da defesa e o avançado hondurenho, Benguché, que teve nos seus pés a melhor oportunidade de golo para as panteras à passagem da meia hora de jogo.

Para esta partida, o Boavista não pode contar com quatro elementos da sua equipa, entre os quais estão Miguel Reisinho e o melhor marcador das panteras, Paulinho, que recuperam de lesões. Juntam-se ao lote de jogadores indisponíveis os avançados Elis que testou positivo à COVID-19 e Yusupha que cumpre castigo após expulsão no jogo frente ao Vizela FC para a Taça de Portugal.

Já o Belenenses SAD apresentou uma maior coerência na sua formação face ao seu último encontro, diante do Real SC, alterando apenas de guardião. Kritciuk voltou a ser o homem escolhido para guardar a baliza da equipa orientada por Petit, depois de André Moreira o ter feito no jogo da prova rainha.

Na antevisão desta partida, Petit frisou que os treinos no campo número 3 do Estádio Nacional do Jamor estariam a ser os principais causadores de lesões e de fadiga dos seus jogadores. Contudo, o Belenenses mostrou sempre uma grande consistência e organização defensiva e dividiu muito bem o jogo com a equipa da casa na zona intermediária do terreno de jogo, demonstrando sempre agressividade e dividindo todas as bolas com os axadrezados, que apresentaram dificuldades em rasgar a muralha defensiva da formação de Belém, que não é por acaso a melhor defesa da Liga até ao momento.

Escassez de brilhantismo

Numa primeira parte muito disputada no meio-campo, faltaram pormenores que fizessem a diferença a ambas as equipas. De um lado, um Boavista reticente e com fragilidades na organização defensiva e do outro um Belenenses SAD rápido no contra-ataque, mas ainda sem um goleador nato que pudesse desbloquear o nulo que se impôs em toda a partida.

A melhor e mais clara oportunidade de golo pertenceu ao avançado Miguel Cardoso da Belenenses SAD, que rematou com grande estrondo à barra da baliza do guardião Léo Jardim, aos 28′, depois de uma desatenção da defesa boavisteira que se deixou ultrapassar pelos seus adversários pelas costas.

Numa segunda parte um pouco mais emotiva, foi a equipa forasteira a protagonizar as melhores ocasiões de golo nos primeiros 20 minutos de jogo, quando a equipa do Boavista se ía revelando fatigada a nível defensivo e ía sendo apanhada em contrapé com a velocidade dos avançados Miguel Cardoso e do experiente Silvestre Varela, que acabariam por ser substituídos nos instantes finais da partida pelos avançados Richard e Mateo Casierra, respetivamente.

Já no meio-campo, os axadrezados mostravam uma maior capacidade de organização com o capitão Javi Garcia e o médio brasileiro Gustavo Sauer, que foi recompensado com o prémio de homem do jogo.

Embora o destaque ofensivo pertencesse à equipa visitante numa fase inicial da segunda metade do encontro, foi o Boavista quem mostrou predominância no último quarto de hora da partida, após reforçar o meio-campo com a entrada de Nathan e do avançado De Santis, que substituiu um desinspirado Benguché. Destaque para a consistência do médio angolano Show e para o jovem avançado luso-inglês, Angel Gomes que muitas vezes tentou desequilibrar a defesa do Belenenses SAD, quase sempre sem sucesso.

Ao longo de toda a partida, a arbitragem de Tiago Martins foi por algumas vezes contestada por ambas as formações. Embora o jogo não tenha tido problemas e motivos para grandes aparatos, o juíz da partida apresentou um critério não muito linear, tendo complicado algumas vezes o decorrer do jogo.

Pantera sem garra

Com um jogo marcado pela vulgaridade de ambas as equipas, sobressalta a falta de ideias de um Boavista que parece apagado desde a vitória caseira e categórica por três bolas a zero diante do SL Benfica.

Paira a questão de até quando irá durar esta falta de entrosamento dos axadrezados depois de um duelo com “sabor a pouco”.

Vasco Seabra mantém a confiança

Confrontado com a questão de poder ter o seu lugar em risco e de um Boavista que fica aquém do esperado face aos meros sete pontos que conquistou em oito jornadas, o treinador Vasco Seabra acredita que a equipa vive um momento frágil, mas que irá dar a volta por cima: “Sabemos que vamos chegar lá”, afirmou o técnico.

Com uma exibição tristonha das panteras e apesar de não descartar os pontos menos positivos, o técnico dos axadrezados acredita numa mudança próspera e positiva quando a equipa estiver a 100%: “Quando tivermos todos esses elementos, essa alma e essa raça de vitória vamos conseguir produzi-la”.

Petit e um “resultado que se aceita”

Apesar de um jogo sem golos, foi ao Belenenses SAD a quem pertenceram as ocasiões de golo mais flagrantes. Contudo, a equipa lisboeta segue com apenas três golos. Confrontado com a falta de eficácia, o antigo jogador e treinador do Boavista acredita que é só uma questão de tempo e também de sorte: “Construímos oportunidades e só está mesmo a faltar o golo”, afirmou Petit. Em resumo, o treinador dos azuis afirmou que “é um resultado que se aceita”.

No próximo domingo (dia 6) o Boavista FC desloca-se ao Estádio dos Arcos para defrontar o Rio Ave FC, na busca de um renascer e à conquista dos três pontos. Já o Belenenses SAD recebe, também no próximo domingo (dia 6), o segundo classificado, SC Braga, que já não perde há seis jornadas para o campeonato.

Artigo editado por Filipa Silva