Com muitos adeptos nas bancadas do Bessa, o Boavista recebeu na tarde de domingo o Portimonense, num jogo marcado pelo futebol desinspirado e algo insípido das duas equipas, com um ligeiro ascendente para a equipa visitante. Carlinhos, a fechar a primeira parte, abriu o ativo. Petar Musa, jovem reforço das panteras, salvou um ponto importante para a equipa de João Pedro Sousa, já no tempo de compensação.

Para esta partida, o ex-técnico do Famalicão fez alinhar a equipa em 5-2-3, dando primazia à segurança defensiva conferida pelos três centrais (Nathan, Porozo e Abascal). Na frente, Sauer, Musa e Gorré tinham a missão de explorar a profundidade e ataques rápidos.

Já Paulo Sérgio apostou no habitual 4-2-3-1, com o duplo pivô composto por Carlinhos e Willyan a servir de base para o resto da equipa, que contemplou também três homens velozes atrás do ponta de lança Aponza.

Jogo direto adormeceu primeiro tempo pobre

A jogar em casa, perante o seu público, o Boavista entrou melhor no jogo, a controlar com relativa facilidade as investidas do Portimonense – mais apostado no jogo direto – e a sair com perigo em várias ocasiões.

Aos 24 minutos, por exemplo, Musa tentou aquele que seria o golo da jornada, ao desferir um remate potente do meio-campo, tentando apanhar Samuel Portugal desprevenido, sem atingir, no entanto, a baliza do adversário.

Pouco depois, foi tempo da resposta dos algarvios, com Angulo a chegar com rapidez à entrada da área, mas a disparar com o pé esquerdo muito por cima do alvo.

Seguiu-se nova investida axadrezada pela direita, desta vez com Pedro Malheiro a rematar cruzado, com a bola a passar muito perto da baliza do Portimonense.

Seria, porém, a equipa forasteira a inaugurar o marcador na casa da pantera. Aos 45 minutos, após cruzamento de Fali Candé do lado esquerdo, Carlinhos recebeu, rodou e rematou à queima-roupa para o fundo da baliza de Bracali, não dando qualquer hipótese ao guardião brasileiro. Os algarvios iam em vantagem para os balneários.

Incapacidade criativa dissipada ao cair do pano

Empurrada pelo bom ambiente criado pelos boavisteiros, esperava-se uma equipa do Boavista pressionante no começo do segundo tempo, à procura de igualar o marcador rapidamente, dominando a toada do jogo.

Foi, por isso, uma segunda parte algo dececionante dos homens de João Pedro Sousa, que nunca tiveram o jogo na mão e, mesmo quando o Portimonense inevitavelmente recuou, não teve o discernimento necessário para ferir o oponente.

Foram, inclusivamente, do Portimonense, as melhores oportunidades de golo na segunda metade, nomeadamente através dos brasileiros Ewerton (56’) e Anderson (83’).

Até que, três minutos depois dos 90, dos seis dados pelo árbitro, já depois de muitas alterações sem efeito do treinador da casa, surgiu, para contentamento dos adeptos, o golo do empate

Ntep trabalhou na esquerda sob o adversário, atrasou com um passe de trivela para dentro da área e Musa, jovem avançado croata, apareceu para finalizar de pé esquerdo, para delírio do público no Estádio do Bessa.

Mesmo com dificuldades de criação, com muito recurso ao jogo direto – muitas vezes desnecessário, e revelador da incapacidade da equipa em segurar a bola – os axadrezados saíram deste encontro com um ponto importante frente a um rival direto na luta pela permanência na Primeira Liga.

Com este resultado, o Boavista continua no quinto lugar, com oito pontos – os mesmos que o Sporting de Braga – mais um do que o Portimonense, que tem sete e ocupa o nono lugar na tabela.

“Fomos felizes, porque marcámos de uma forma que não trabalhámos”

Na conferência de imprensa após a partida, João Pedro Sousa admitiu alguma felicidade na forma como o Boavista chegou ao empate, sem deixar de enaltecer a organização da equipa, sobretudo na primeira parte: “Primeira parte organizada, competentes no que queríamos. Criámos alguns problemas ao adversário e evitámos bastantes, perante uma equipa difícil (…) Chegámos ao 1-1 de uma forma que não tem a ver com a nossa forma de jogar. Na segunda parte, concordo que se calhar fomos felizes, porque marcámos de uma forma que não trabalhámos.”

Paulo Sérgio, por seu lado, afirmou que o Portimonense “não deixou o Boavista jogar” e reiterou que a sua equipa teve oportunidades para acabar com o jogo, queixando-se da legalidade do golo das panteras: “Jogámos com três homens na frente, constantemente a pressionar os três defesas do Boavista, a não deixar organizar o jogo, com dois médios muito subidos em cima dos médios do Boavista, para não os deixar pegar no jogo. Podíamos e devíamos ter matado o jogo, mas como não fomos eficazes, ficámos à mercê de uma qualquer situação. Pena é que essa situação seja precedida de uma falta inequívoca”, afirmou.

Na próxima jornada, os axadrezados medem forças com o Benfica, na segunda-feira (20/9), no Estádio da Luz, enquanto o Portimonense enfrenta o Santa Clara, em Portimão, na sexta-feira (17/9).

Artigo editado por Filipa Silva